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Ozônio como agente fungicida e seu efeito na qualidade do arroz

Ano: 2014

Tipo de Trabalho: Dissertação de mestrado em Engenharia Agrícola

Centro de Pesquisa: Universidade Federal de Viçosa

Orientador: Lêda Rita D’Antonino Faroni

Autor: Raquel Rodrigues Santos

Área de Atuação: Fumigação de Grãos Armazenados

Palavras-chaves: Fungos, Arroz - Armazenamento, Arroz - Efeito de fungicida , Ozônio.

A atividade fúngica, principalmente durante o armazenamento, pode levar a rápida deterioração na qualidade nutricional dos grãos, e reduzir seu aproveitamento industrial. No Brasil, não há fungicidas registrados pelo MAPA para o tratamento pós-colheita de grãos de arroz.

Deste modo, é de fundamental importância o controle dos fungos nas unidades armazenadoras, com a finalidade de resolver os problemas associados à qualidade final deste produto.

Dentre as tecnologias apontadas como promissoras no controle desses microrganismos, destaca-se a ozonização. O ozônio é um poderoso agente oxidante que promove efeitos de oxidação e destruição da membrana citoplasmática e parede celular.

Objetivou-se com este trabalho determinar a concentração e o tempo de saturação do gás ozônio na massa de grãos de arroz, definir o tempo de ozonização eficaz para a desinfecção microbiológica dos grãos, bem como avaliar o efeito do processo de ozonização nas características qualitativas do produto. Foram utilizados grãos de arroz, com teor de água de 14,3% b.u., que foram previamente inoculados com uma suspensão de conídios dos gêneros Penicillium spp e Aspergillus spp.

O processo de ozonização foi feito utilizando-se 500 g de grãos, que foram acondicionados em recipientes cilíndricos de PVC (15 x 25 cm), com conexões para injeção e exaustão do gás. O mesmo foi aplicado na concentração de 10,13 mg L-1, em fluxo contínuo de 1,0 L min -1. Foram estabelecidos cinco períodos de exposição (12, 24, 36, 48 e 60 h) para avaliar o efeito do gás na desinfecção microbiológica e na qualidade dos grãos de arroz.

Para o controle, os grãos de arroz foram submetidos ao tratamento com ar atmosférico, nas mesmas condições que o tratamento com ozônio. Com a finalidade de reduzir o ressecamento dos grãos, fez-se necessário a passagem do gás por uma solução saturada de Cloreto de Sódio (NaCl, 75% de UR).

A quantificação de fungos filamentosos e leveduras em meio de cultura e o índice de ocorrência dos gêneros Aspergillus e Penicillium nos grãos foram avaliadas por dois métodos. O primeiro método foi o da contagem em placas para fungos filamentosos e leveduras, em que 25 g de grão foram homogeneizados em 225 mL de solução salina peptonada a 0,1% e após diluições em série (10-1, 10-2, 10-3 e 10-4), foram plaqueados em meio de cultura BDA acidificado. O segundo, o plaqueamento direto sobre papel de filtro (Blotter test) foi realizado utilizando-se 400 grãos dispostos individualmente sobre uma camada de papel filtro umedecido no interior de gerbox.

Ao final de cada período de exposição, os grãos de arroz foram avaliados quanto ao teor de água, à condutividade elétrica e à porcentagem de germinação. Observou-se que a concentração e o tempo de saturação do gás ozônio nos grãos de arroz foi de 5,0075 mg L-1 e 13,97 min, respectivamente.

Ocorreu redução em 3,8127 ciclos log na contagem de fungos filamentosos e leveduras nos grãos ozonizados. Quanto ao índice de ocorrência de Aspergillus spp e Penicillium spp, o ozônio foi eficiente, pois não houve crescimento de fungos nos grãos, no período de exposição de 60 h. Com relação às características qualitativas, verificou-se que o ozônio reduziu o teor de água e a porcentagem de germinação e elevou a condutividade elétrica. Houve o efeito fungicida do gás ozônio em grãos de arroz.

Artigo Completo