O Ozônio no controle de pragas foi tema de um dos painéis do 1º Consultare Conversas Ambientais que aconteceu entre os dias 26 e 28 de outubro de 2020.

Sobre o 1º Consultare – Conversas Ambientais

Um Painel de discussão sobre novas posturas e tecnologias alternativas, entendendo que o MIP Manejo Integrado de Pragas) consiste em uma importante contribuição à sustentabilidade, nos programas que envolvem a Segurança de Alimentos e Processos de Boas Práticas nos mais diversos setores da economia.

A myOzone participou do evento com a palestra: Ozônio: Uma alternativa no controle de pragas. A palestra foi ministrada pelo Diretor da myOZONE Vivaldo Mason Filho. Após a palestra houveram várias perguntas sobre o ozônio no controle de pragas:

O ozônio pode ser usado para tratamento de lojas de chocolate?

O ozônio é um excelente sanitizante. Ele é eficiente em 99,9% de microrganismos não esporolados. No caso de aplicar em sua forma gasosa para desinfecção de superfícies, o local deve ser isolado, retirando as pessoas do local no momento da aplicação para não correr o risco de intoxicação. Pois o gás é toxico nas vias respiratórias. A volta das pessoas no local varia de acordo com o tamanho da área e o tempo de aplicação.

No caso de aplicação em sua forma líquida: “água ozonizada” uma loja de chocolate fica limitada a sua aplicação com pulverizadores que poderiam ser utilizado em áreas molhadas. Uma solução para uso de água ozonizada sem molhar superfícies é a sua aplicação na forma de névoa ultrassônica ozonizada que não molha a superfície e não tem risco em humanos.

A tecnologia de “névoa ozonizada” consiste no uso de umidificador ultrassônico industrial integrado a um gerador de ozônio. A aplicação é antiga e consiste em uma técnica usada há vários anos para tratamento médico e estético em pessoas e descontaminação de superfícies inanimadas em diversos países, inclusive no Brasil.

O equipamento utiliza diafragmas de metal que vibram em frequência ultrassônica muito parecido com o elemento em um alto-falante que vibram em alta frequência (25kHz) e criam gotículas de água ozonizada de tamanhos menores que 10micras.  O resultado é uma névoa-fria agradável semelhante a uma neblina em um dia frio ou uma nuvem no céu.

A tecnologia é segura para as pessoas, pois garante a não injeção do gás ozônio puro no interior do local de desinfecção e sim água ozonizada disponibilizada em gotículas que formam a névoa. Ao contrário do que todo mundo pensa, a água ozonizada não contém ozônio. Na verdade ela é uma solução sanitizante obtida através de uma reação química da aplicação do gás ozônio na água formando duas hidroxilas (HO2 + OH). Após formada a solução possui excelente poder de desinfecção.

A água ozonizada é reconhecida como sanitizante pela ANVISA (Agência nacional de vigilância sanitária) e elimina 99,9% dos microrganismos transportados pelo ar. O processo é regulamentado pela da Portaria nº 5 de 28/set/2017 que trata da qualidade e potabilidade de água para consumo humano que é o padrão de referência para o uso da água em bebedouros, torneiras para lavar as mãos e chuveiros. Assim a ANVISA já determina que a água ozonizada pode ser usada e consumida de forma benéfica à saúde humana.

O artigo 32 da referida Portaria, parágrafo segundo menciona que:

“No caso de desinfecção com o uso de ozônio, deve ser observado o produto, concentração e tempo de contato (CT) de 0,16mg.min/L para temperatura média de água igual a 15°C .”

Na agricultura, ozônio já é uma ferramenta para controle de inseto?

Sim, na agricultura o ozônio pode ser aplicado para controle de insetos. Devido a sua forma gasosa sua aplicação é muito parecida ao uso de gases fumigantes como fosfina usado no controle de insetos em produtos armazenados.

Sim, O ozônio é extremamente eficaz no tratamento de pragas em grãos.

As principais aplicações do ozônio é para controle de carunchos e mariposas. Pesquisas científicas já comprovaram esta técnica em diversos tipos de insetos. Há mais de 25 anos a Universidade Federal de Viçosa vem desenvolvendo pesquisas na aplicação do ozônio como substituto ao gás fosfina para fumigação de grãos no Brasil. Já foram desenvolvidos diversos protocolos para uma grande variedade de insetos e tipos de grãos: arroz, feijão, soja, milho, trigo, etc. com validações desta técnica em diversos tipos de insetos em suas diferentes fases de vida. Estes estudos estão disponíveis na internet através do site da myOZONE e também da Universidade Federal de Viçosa onde poderá baixar as pesquisas na integra. Sua utilização hoje é maior principalmente pelas indústrias alimentícias do que em produtores rurais. Isto se deve pelo fato da indústria estar mais preocupada com o controle e também o volume e estrutura física para tratamento na indústria ser melhor do que no campo.

Aproveito para passar um link onde poderão encontrar diversos trabalhos científicos do uso de ozônio para controle de insetos em grãos: https://myozone.com.br/?s=insetos&cat=36

Qual é o custo benefício do uso de Ozônio em relação aos tratamentos mais comuns?

Em sua forma gasosa como fumigante o ozônio tem como principais concorrentes: gás fosfina, autoclave e irradiação.

Sua grande vantagem sobre as 3 tecnologias é o tempo e o custo por tonelada tratada. Quando falamos em alimentos a irradiação custa em média R$0,50/kg ou R$500,00/tonelada tratada. Este custo torna a tecnologia inviável para muitos produtos agrícolas. Somente alguns produtos com alto valor agregado compensa este tipo de tratamento. Como é o caso de especiarias e alguns tipos de produtos orgânicos que possuem um valor de mercado que viabiliza a tecnologia. Uma aplicação com ozônio possui o custo de R$2,50/tonelada tratada. Além do benefício que o tratamento pode ser realizado dentro da própria empresa sem necessidade da mercadoria se deslocar até a empresa que fará a irradiação. Este custo também deve ser considerado quando se usa a irradiação. Vale lembrar que a legislação brasileira obriga as empresas a informarem na embalagem do produto que o produto sofreu irradiação. Apesar de sabermos que a tecnologia segura que não deixa resíduas no produto,  existem ainda muito preconceito e medo das empresas e pessoas com o uso da irradiação ao ponto de muitas empresas se recusarem a comprar produtos irradiados.

Quando comparamos o ozônio com o gás fosfina também temos uma grande surpresa. Para tratar cerca de 600toneladas de trigo com casca gasta-se cerca de R$2.800,00 de fosfeto de alumínio para um tratamento que varia de 10 a 12 dias em que o produto necessita ficar parado ocupando o silo. Além é claro do custo do tempo deste capital parado. Quando aplicamos ozônio gastamos cerca de 5m³ de oxigênio gasoso a um custo de R$50,00 em um tempo de 12 horas de tratamento.

Pode ser usado no tratamento de água em reservatório de água potável?

Sim, é possível usar ozônio para tratamento de água potável. A própria legislação vigente através da Portaria n° 05 de 2017 que regulamenta a segurança e qualidade da água para consumo humano já regulamentou além do cloro, o uso do ozônio e lâmpadas UV para tratamento de água potável. Há mais de 3 décadas empresas que envazam e comercializam água potável utilizam o ozônio como sistema de tratamento, visto que o uso de produtos químicos como o cloro é proibido em água mineral.

Na Europa, a utilização do ozônio é permitida para “separar os elementos instáveis das águas minerais naturais, o que garantirá que a composição da água no que respeita aos seus ingredientes essenciais não seja afetada“. Os elementos instáveis referidos incluem compostos de ferro, manganês e enxofre. Um importante efeito colateral desta nova permissão européia para as águas minerais será a capacidade de desinfecção do tratamento com ozônio, que em muitos aspectos é superior ao do cloro.

Para incorporar o ozônio em água de forma eficiente é necessário saber escolher os equipamentos que farão a incorporação do ozônio. Em outras palavras, o sucesso da esterilização de um meio líquido por ozônio dependente não só do gerador de ozônio, mas também, da tecnologia escolhida de incorporação do um gás em meio aquoso. Muitas vezes tão importante quanto o gerador de ozônio.

Uma vez produzido o gás ozônio, o próximo passo é aplicá-lo na forma de gás e dissolve-lo na água. Neste último caso, a variável de controle é a solubilidade parcial do ozônio na água.

Vários parâmetros influenciam a solubilidade do ozônio na água, entre eles destacamos:

  1. temperatura,
  2. pH,
  3. força iônica,
  4. presença de substâncias prontamente oxidadas pelo ozônio e 
  5. degradação do ozônio nas fases gasosa e líquida.

A solubilidade do gás é aprimorada com o aumento da pressão do sistema em um sistema de tratamento de água, ou seja, pressurizar a água junto com o ozônio, faz com que as bolhas de ozônio presentes na água “explodam” e sejam mais facilmente incorporadas pelo meio liquido.

A transferência em massa do gás ozônio para a água para fins de tratamento da água ou preparação de soluções aquosas de ozônio necessárias para indústria de alimentos é normalmente realizada por: difusores, venturi e micobolhas. Todas as tecnologias  têm sua relevância e sua escolha depende da aplicação. O conhecimento das tecnologias ajudará na tomada de decisão.

Existe um artigo que eu escervi que ajuda a entender melhor como funciona este processo. Segue o link para conhecimento:  https://myozone.com.br/como-incorporar-o-ozonio-em-agua-e-outros-liquidos/

Em se tratando de inseticida, o ozônio tem ação de bioacumulação?

Não, o ozônio não possui efeito cumulativo. Ele por si só degrada-se em oxigênio em alguns minutos após a sua aplicação. Em 1995, o ozônio foi reconhecido nos EUA como “Generally Recognized As Safe” (GRAS), para ser utilizado em processos de lavagem de garrafas e como desinfetante em instalações de água engarrafada.

Mais tarde, em 1997, o ozônio recebeu status “GRAS” para contato direto com alimentos por um grupo independente de especialistas, patrocinado pelo Instituto de Pesquisa de Energia Elétrica (EPRI) (Graham et al. 1997). O FDA emitiu uma decisão final em junho de 2001, em resposta a uma petição de aditivo alimentar da EPRI, alterando os regulamentos anteriores de aditivos alimentares e concedendo a aprovação regulamentar do ozônio como um agente antimicrobiano para contato direto com alimentos.

Na legislação americana um agente antimicrobiano necessita reduzir 2 logs nos níveis microbianos. A emenda aos regulamentos de aditivos alimentares da FDA (O capítulo 21 do Código de Regulamentações Federais, seção 173) permite o uso de ozônio quando usado como gás ou dissolvido em água como agente antimicrobiano para alimentos. Essa decisão abriu caminho para o uso potencial do ozônio na indústria de processamento de alimentos dos EUA.

O ozônio também é aprovado nos EUA para uso em todos os produtos de carne e aves pelo USDA (Departamento Federal responsável pela Agricultura nos EUA quando aplicado de acordo com os padrões atuais da indústria de boas práticas de fabricação.

A myOZONE agradece a participação de todos com perguntas muito relevantes ao controle de pragas na indústria de alimentos.

E em especial a Amorim Consultoria e Sinantropicos Ambiental organizadora do evento.

Sinantrópicos Ambiental LtdaAmorim Consultoria - Parceira myOZONE
Telefone: 11 3858-1491 – WhatsApp: 11 99576.3360
www.sinantropicos.com.br
Amorim Consultoria Ltda
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